Curiosidades e detalhes sobre o Grupo Pão de Açúcar, por Flavio Maluf

É impossível falar sobre grandes empresas ou negócios bem-sucedidos no Brasil sem citar o Grupo Pão de Açúcar. Isso não apenas por seu imenso tamanho e domínio no mercado nacional, mas também por sua bela história. Obviamente, uma holding com todas essas características e dimensões tem muitas curiosidades e detalhes, e é exatamente sobre isso que o empresário brasileiro Flavio Maluf mostra a seguir:

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Fundado em 1948, há 67 anos, o Pão de Açúcar atualmente está presente em 20 estados brasileiros e tem mais de 2.100 lojas espalhadas por todos esses estados e ainda cerca de 155.000 funcionários, sendo um dos maiores empregadores do país, ressalta Flavio Maluf. O grupo tem sob seus domínios cinco vertentes de comércio. Os supermercados Pão de Açúcar e Extra são os representantes no multivarejo. No Via Varejo a empresa é representada pela Bartira, fabricante de móveis, e as lojas físicas Ponto Frio e Casas Bahia. Essas duas últimas também compõem as atividades de e-commerce com a Cnova, que também abarca os sítios Barateiro.com.br, Partiuviagens.com.br e Cdiscount.com.br. A GPA Malls é responsável por gerir os ativos imobiliários do grupo e a Rede Assaí é o carro chefe no comércio atacadista da companhia.

Além disso, a empresa também possui as marcas alimentícias Casino, Taeq e Qualitá, as marcas de artigos para casa Caras do Brasil e Finlandek e os rótulos de vinhos Club des Sommeliers. Tudo isso, segundo Flavio Maluf, é uma mostra do quanto abrangente é a atuação do grupo.

Ainda localizada na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, onde surgiu inicialmente, a sede do grupo é composta por três grandes edifícios, que juntos tomam uma área de quase 32.000 metros quadrados, onde trabalham cerca de 2.600 funcionários. Flavio Maluf também ressalta a atenção que o grupo dá aos seus empregados, já que no complexo administrativo da companhia há academia, clube e salão de beleza, tudo com inúmeros empregados inscritos nas atividades, inclusive participando de competições internas.

Flavio Maluf também destaca os mais de cinquenta centros de distribuição do grupo em todo o país e as gigantescas e modernas instalações de algumas áreas no ABC Paulista e em outras regiões do estado. Vale destacar também a forma como o grupo se preocupa em capacitar seus funcionários, inclusive oferecendo espaços e cursos voltados unicamente para esse propósito, o que mostra além de um comprometimento com a qualificação de suas atividades, também a preocupação com os empregados.

 

Representatividade no mercado

O Pão de Açúcar continua a sua grandiosa trajetória alcançando cada vez mais sucesso, haja vista que segue absoluto como o maior varejista do Brasil, afirma Flavio Maluf. De acordo com o Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo), o grupo lidera com larga vantagem para o segundo colocado o ranking das maiores companhias varejistas do país. Em 2014, o Pão de Açúcar faturou mais de R$ 72 bilhões, quase duas vezes o valor arrecadado pela empresa que apresentou o segundo maior faturamento, que foi o Carrefour, com cerca de R$ 38 bilhões. Segundo Flavio Maluf, isso é apenas um dos pontos que servem para demonstrar a enorme representatividade da empresa no mercado.

História

Assim como diversas outras empresas que posteriormente cresceram e se tornaram referência em seus ramos, o Pão de Açúcar surgiu da vontade e da disposição de um imigrante em obter sucesso com seu negócio próprio aqui no Brasil. O grupo nasceu quando o português Valentim dos Santos Diniz fundou, em São Paulo, a doçaria Pão de Açúcar, em 1948. Muito graças a forma competente como Valentim administrava seu negócio, quatro anos mais tarde foram inauguradas duas filiais da doçaria. O empreendimento continuou a evoluir e sete anos depois, em 1959, surgiu o primeiro supermercado da rede, que tinha sua sede nos Jardins, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, local onde tudo tinha começado onze anos antes.

Com cada vez mais credibilidade e vendo as possibilidades de expansão crescerem ainda mais, as duas décadas seguintes trouxeram ainda mais avanços para o grupo, como afirma Flavio Maluf. Isso porque ainda na década de sessenta foi inaugurada a primeira loja da empresa fora da cidade de São Paulo, mais precisamente em Santos. Além disso, após algumas incorporações e a abertura da Divisão Internacional do grupo, que passou a ter lojas em países como Portugal e Espanha, ao término daquela década o Pão de Açúcar já tinha mais de sessenta lojas.

Destarte, o crescimento foi ainda maior nos anos setenta, quando o grupo fez aquisições, lançou hipermercados e adquiriu supermercados. Essa ainda maior ampliação começou com a compra da rede Eletroradiobraz, que era na época a maior rede de eletrônicos e eletrodomésticos do Brasil, e a inauguração das lojas Jumbo, fazendo surgir no país os hipermercados, o que certamente foi um grande avanço não apenas para a companhia, mas também para o mercado nacional, destaca Flavio Maluf. Santo André, no ABC Paulista, recebeu o primeiro modelo desse novo tipo de comercio, em 1971. Já em 1978, o Pão de Açúcar comprou alguns importantes supermercados, como Superbom, Mercantil e Peg-pag.

Obtendo cada vez mais sucesso e se consolidando como uma das grandes empresas do Brasil, os avanços continuaram de forma sólida nos anos oitenta. Além da continuidade concreta nos ramos em que já estava inserida, a companhia começou a apostar em novos formatos de lojas, o que fez o grupo ampliar ainda mais seus horizontes, ressalta Flavio Maluf. Nesse sentido, ganharam destaque as lojas de departamento e as mercearias de desconto.

Ainda em 1981 é formada a Companhia Brasileira de Distribuição, com a unificação de todas as lojas de varejo do grupo. Já no final da década, no ano de 1989, também são criadas as lojas Extra, com o intuito de fazer a companhia se consolidar definitivamente no ramo de hipermercados. Praticamente paralelo a isso aconteceu o fechamento das lojas Jumbo.

Contudo, ainda no final dessa década, pela primeira vez desde a sua criação, o grupo passou por um momento de instabilidade, o que tornou necessárias algumas medidas para evitar perdas acentuadas. Segundo Flavio Maluf, isso se deu devido a uma crise econômica e a discórdias no âmbito familiar, o que tornou necessária uma reformulação da companhia.

Essa reestruturação levou Abilio Diniz, filho mais velho de Valentim Diniz, à presidência do grupo, cargo anteriormente ocupado por seu pai, que com a mudança passou a ser membro do Conselho Administrativo. Também fizeram parte desse processo a diminuição do número de lojas e a demissão de alguns funcionários, o que inevitavelmente tornou-se uma página negativa na história do grupo, ressalta Flavio Maluf.

Apesar desse momento conturbado, a empresa conseguiu se manter forte no mercado e em 1995 inaugurou o Pão de Açúcar Delivery, pioneiro no país em relação a supermercados virtuais. Nesse mesmo ano a companhia obteve cerca de US$ 112 milhões em sua primeira oferta pública de ações. Por sinal, Flavio Maluf dá bastante destaque para isso, pois nunca tinham sido emitidas ações preferenciais de um grupo varejista de alimentos na Bovespa, o que fez o grupo mais uma vez ganhar visibilidade e prestígio por suas ações ousadas. Vale destacar que quando isso aconteceu, Abilio Diniz já era o acionista majoritário do grupo, posição que tinha passado a ocupar dois anos antes.

Antes do final da década de noventa o grupo também fez algumas aquisições, como a compra da rede Peralta e vários supermercados focados mais especificamente nas classes mais populares. Flavio Maluf também dá ênfase para um acontecimento que mais tarde teria um significado bem mais amplo no âmbito da organização, que foi o fato de o grupo varejista francês Casino ter se tornado sócio do Pão de Açúcar em 1999, tendo adquirido um quarto de todas as ações da companhia.

Já em 2003, pela primeira vez desde sua fundação, o grupo elegeu um presidente que não fazia parte da família de Valentim Diniz, o escolhido foi Augusto Marques da Cruz Filho. Com isso, Abilio Diniz assumiu o cargo principal do conselho de Administração do Pão de Açúcar. Também nesse ano o grupo incorporou-se à rede Sendas, que era a maior do ramo varejista no estado do Rio de Janeiro.

Quatro anos mais tarde o grupo teve mais uma troca de presidente, passando o cargo a ser ocupado por Cláudio Galeazzi. A grande diferença era que o controle do Pão de Açúcar já era dividido de forma proporcional entre Abilio Diniz e o Grupo Casino, o que tinha passado a acontecer em 2005. Ainda em 2007 a companhia associou-se ao Assaí Atacadista, um dos líderes do mercado atacadista em São Paulo.

Dois anos mais tarde, já sem o seu fundador, que havia falecido em 17 de março de 2008, aos 94 anos, o Pão de Açúcar comprou a rede Ponto Frio e se unificou as Casas Bahia, passando a ser o maior distribuidor da América Latina. Em 2012, apesar da resistência de Abilio Diniz, o Grupo Casino assumiu o controle da companhia. Na verdade, Flavio Maluf destaca que isso não chegou a ser uma surpresa, pois já era esperado que acontecesse há alguns anos.

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