Confira, com Flavio Maluf, os desafios da exportação no agronegócio

De acordo com informações divulgadas em janeiro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as exportações brasileiras do agronegócio cresceram 13% em 2017. A entidade ainda informou que o setor foi responsável por 44,1% das vendas do país para o exterior. Todavia, apesar do bom desempenho, a área também enfrenta alguns desafios para se desenvolver. Quem apresenta alguns deles é o presidente das empresas Eucatex, o empresário e executivo Flavio Maluf.

Ampliar a infraestrutura

Para que o agronegócio brasileiro melhore a escoação da sua produção e exportação é necessário, por exemplo, o desenvolvimento de uma infraestrutura eficiente. Entre as formas de melhoria está o investimento na malha rodoviária e o estímulo da alternativa ferroviária.

Tomar cuidado com as mudanças do mercado internacional

Atualmente, dois dos principais compradores dos produtos brasileiros são a China e Estados Unidos. O cliente oriental possui cerca de 1,3 bilhão de habitantes e vive em constante crescimento econômico, o que o torna um atraente destino para as mercadorias do Brasil, reporta Flavio Maluf. No entanto, uma desaceleração na economia chinesa pode impactar, significativamente, a produção agropecuária do Brasil. Sendo assim, diminuir a dependência desse mercado, seria algo a se considerar.

Os Estados Unidos, por sua vez, têm Donald Trump na presidência desde o início de 2017 e vive um momento de mudanças e incertezas. Um dos discursos do político é, justamente, em relação à proteção da produção norte-americana — o que pode afetar a entrada de produtos brasileiros no país.  

Pensar, cada vez mais, na produção sustentável

Hoje em dia, o número de consumidores que se preocupam com as questões ambientais só aumenta. Sendo assim, pensar em sustentabilidade nos processos de produção e demais atividades do empreendimento é cada vez mais relevante em termos de competitividade empresarial — tanto para o mercado nacional quanto internacional, enfatiza o empresário Flavio Maluf.

Exportar produtos frescos

A qualidade é essencial para qualquer tipo de progresso. E no agronegócio não é diferente — é preciso manter a qualidade dos produtos em todos os momentos, inclusive, claro, na exportação. Para isso, o planejamento é fundamental. Analisar a logística e qual o tipo de transporte será mais eficiente para escoar determinada produção, bem como qual a melhor época de embarque, são formas de manutenção de qualidade.

Flavio Maluf acentua que é importante, também, estudar quais são as tecnologias mais adequadas, por exemplo, para conservação da temperatura, umidade e condições específicas de cada carga — e garantir um desembarque sem complicações.

Acertar na embalagem

A escolha da embalagem é um aspecto que influencia tanto na questão da sustentabilidade quanto em manter a qualidade dos produtos. O tipo de material no qual encontra-se a mercadoria está entre os principais resíduos que prejudicam o meio ambiente. “A tendência do comércio exterior a cada dia que passa é ter tolerância zero com produtos e embalagens que não seguem os padrões ecológicos. Um dos exemplos mais recentes foi a decisão da China, em outubro de 2017, de não importar mais produtos que não possuam embalagens ecologicamente corretas”, explicou o gestor do Núcleo de Comércio Exterior da Câmara de Comércio do Mercosul e União Latino America (CCM-ULA), Edson Saito.

Ainda, é preciso pensar na embalagem como um dos instrumentos auxiliares do agronegócio capaz de, no ato da exportação, aumentar ou preservar a qualidade, bem como a validade, da mercadoria em questão, salienta o presidente das empresas Eucatex. O executivo Flavio Maluf também reforça a importância de estudar a legislação do país de destino em relação à exportação — e isso inclui regras e orientações a respeito das embalagens internas e externas dos produtos. Seguir as especificações à risca é a melhor forma de impedir que a exportação seja inviabilizada por algum motivo referente a esse aspecto.

Além de sobrevivência, sustentabilidade também é marketing — Veja com Flavio Maluf

A atual disponibilidade de informações tem dado poder ao consumidor que, hoje em dia, dá mais importância ao consumo consciente. Marcas engajadas com a proposta de não serem tão agressivas ao meio ambiente, bem como na criação de uma cultura de preservação costumam ganhar atenção positiva diante dos compradores e das mídias. É o chamado marketing sustentável ou marketing verde, como também é conhecido, destaca o presidente das empresas Eucatex, o empresário e executivo Flavio Maluf.

Uma pesquisa realizada no segundo semestre de 2017 pelo IBOPE/Rede Conhecimento Social, a pedido do Observatório do Código Florestal, apontou, por exemplo, que 82% dos consumidores de grandes cidades brasileiras gostariam que os produtos que adquirem seguissem o Código Florestal — que é a principal lei ambiental brasileira. Além disso, um percentual de 60% dos entrevistados afirmou que pagaria um pouco mais por esse tipo de produto.

O levantamento foi realizado com 600 pessoas, nas capitais Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, reporta Flavio Maluf. O estudo contou, também, com dois encontros, realizados nos últimos meses de outubro e janeiro, para uma análise qualitativa, com representantes de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, São Luís e Vitória.

Ainda entre as tantas vantagens do marketing sustentável, em geral, pode-se dizer que ele é muito abrangente. Dentro do agronegócio existem muitas formas simples de investir nesse tipo de marketing, no qual todos saem ganhando. Flavio Maluf destaca que entre as iniciativas estão, por exemplo, priorizar produtos orgânicos, quando possível; criar embalagens biodegradáveis; apostar em recursos de reciclagem; nos processos de produção economizar água, que é um recurso natural não-renovável e fundamental para a vida na Terra; e fazer a rotação de culturas, que implica em alternar o que é cultivado em determinada área.

A adubação verde é, também, outra maneira de produção sustentável, acentua Flavio Maluf. A prática refere-se à utilização de espécies vegetais específicas capazes de melhorar, por exemplo, a capacidade produtiva do solo, e aumentar a sua fertilidade e produtividade. A ideia, com a técnica é minimizar o uso de produtos químicos na produção. Por consequência, diminui-se os gastos e também se evita que esses resíduos sejam descartados de maneira inadequada na natureza.

O número de empresas adeptas à produção sustentável está em constante crescimento e cada uma delas faz questão de estampar onde for possível os seus selos de aprovação ecológica e suas ações em prol do meio ambiente. Entretanto, vale salientar que os benefícios dos investimentos na sustentabilidade não são só para angariar novos clientes e uma imagem positiva.  

No caso do agronegócio, empregar práticas sustentáveis de cultivo e descarte de produtos e embalagens, por exemplo, é uma necessidade para crescer a médio ou longo prazo, enfatiza Flavio Maluf. A poluição da água, o desgaste e a perda de nutrientes do solo, a redução da área cultivável das fazendas, entre outras tantas deteriorações ambientais, são apenas algumas das consequências de uma produção despreocupada em relação às responsabilidades com o meio ambiente. Os prejuízos, nesse caso, estão diretamente ligados ao próprio produtor rural.