Além de sobrevivência, sustentabilidade também é marketing — Veja com Flavio Maluf

A atual disponibilidade de informações tem dado poder ao consumidor que, hoje em dia, dá mais importância ao consumo consciente. Marcas engajadas com a proposta de não serem tão agressivas ao meio ambiente, bem como na criação de uma cultura de preservação costumam ganhar atenção positiva diante dos compradores e das mídias. É o chamado marketing sustentável ou marketing verde, como também é conhecido, destaca o presidente das empresas Eucatex, o empresário e executivo Flavio Maluf.

Uma pesquisa realizada no segundo semestre de 2017 pelo IBOPE/Rede Conhecimento Social, a pedido do Observatório do Código Florestal, apontou, por exemplo, que 82% dos consumidores de grandes cidades brasileiras gostariam que os produtos que adquirem seguissem o Código Florestal — que é a principal lei ambiental brasileira. Além disso, um percentual de 60% dos entrevistados afirmou que pagaria um pouco mais por esse tipo de produto.

O levantamento foi realizado com 600 pessoas, nas capitais Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, reporta Flavio Maluf. O estudo contou, também, com dois encontros, realizados nos últimos meses de outubro e janeiro, para uma análise qualitativa, com representantes de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, São Luís e Vitória.

Ainda entre as tantas vantagens do marketing sustentável, em geral, pode-se dizer que ele é muito abrangente. Dentro do agronegócio existem muitas formas simples de investir nesse tipo de marketing, no qual todos saem ganhando. Flavio Maluf destaca que entre as iniciativas estão, por exemplo, priorizar produtos orgânicos, quando possível; criar embalagens biodegradáveis; apostar em recursos de reciclagem; nos processos de produção economizar água, que é um recurso natural não-renovável e fundamental para a vida na Terra; e fazer a rotação de culturas, que implica em alternar o que é cultivado em determinada área.

A adubação verde é, também, outra maneira de produção sustentável, acentua Flavio Maluf. A prática refere-se à utilização de espécies vegetais específicas capazes de melhorar, por exemplo, a capacidade produtiva do solo, e aumentar a sua fertilidade e produtividade. A ideia, com a técnica é minimizar o uso de produtos químicos na produção. Por consequência, diminui-se os gastos e também se evita que esses resíduos sejam descartados de maneira inadequada na natureza.

O número de empresas adeptas à produção sustentável está em constante crescimento e cada uma delas faz questão de estampar onde for possível os seus selos de aprovação ecológica e suas ações em prol do meio ambiente. Entretanto, vale salientar que os benefícios dos investimentos na sustentabilidade não são só para angariar novos clientes e uma imagem positiva.  

No caso do agronegócio, empregar práticas sustentáveis de cultivo e descarte de produtos e embalagens, por exemplo, é uma necessidade para crescer a médio ou longo prazo, enfatiza Flavio Maluf. A poluição da água, o desgaste e a perda de nutrientes do solo, a redução da área cultivável das fazendas, entre outras tantas deteriorações ambientais, são apenas algumas das consequências de uma produção despreocupada em relação às responsabilidades com o meio ambiente. Os prejuízos, nesse caso, estão diretamente ligados ao próprio produtor rural.

 

Vamos falar de agricultura e preservação do meio ambiente? Com Flavio Maluf

As expectativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) não são boas para os próximos 30 anos, conforme um relatório divulgado pela instituição, ainda em abril. O documento aponta que a emissão de gases do efeito estufa proveniente da agricultura deve estar 30% mais alta em 2050. Isso se o setor seguir no ritmo atual de crescimento e nada for feito para frear essa difusão, destaca o presidente das empresas Eucatex, o empresário e executivo Flavio Maluf.

“Projeta-se um aumento das emissões globais da agricultura em 2030 e 2050 entre 18% e 30%, respectivamente”, salientou a FAO no relatório.

Conforme o documento, a exalação de gases do efeito estufa proveniente da agropecuária, silvicultura e pesca praticamente dobraram nos últimos 50 anos. Em dez anos — no período entre 2001 e 2011 — as emissões derivadas somente dos cultivos e da criação de animais chegaram a subir 14%.

A maior fonte de emissão do setor agrícola, segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, é a agropecuária, que respondeu por 39% da produção dos gases estufa do setor em 2011. A maioria dos poluentes são derivados do que se chama de “fermentação entérica”, destaca Flavio Maluf. Esta acontece no estômago dos animais — principalmente do gado de corte — que liberam, sob forma de arrotos e flatulência, o gás metano, altamente poluente. Este tipo de emissão subiu 11% entre os anos de 2001 e 2011.

No geral, a exalação de gases do efeito estufada derivadas do cultivo e da criação de animais subiram, entre 2001 e 2011, 14% acentuou a FAO.

No Brasil

O empresário e executivo Flavio Maluf reporta que em cenário nacional, a agropecuária é, também, uma das líderes de emissões de gases do efeito estufa no país — junto com ela aparecem ainda o manejo da terra e consumo de combustíveis. A expansão do rebanho bovino e o aumento do uso de fertilizantes nitrogenados são os causadores dos altos índices de emissão no segmento.

Contudo, existem iniciativas criadas com o objetivo de reduzir esses números.  Em 2010, por exemplo, o governo brasileiro lançou o programa chamado de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC). A ideia é reduzir entre 36,1% e 38,9% as emissões de gases do efeito estufa no país até 2020, com base nos números de 1990. Entre os principais objetivos da ação está a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas.

Flavio Maluf ainda acentua que Índia e Brasil são, respectivamente, os maiores criadores de rebanhos bovinos do mundo.

Outros responsáveis pela emissão de gases estufa

Outro grande contribuinte para o aumento da emissão de gases do efeito estufada proveniente da agricultura foi o uso de fertilizantes industrializados. De acordo com o relatório da FAO, eles representaram 13% das emissões agrícolas em 2011. Trata-se de um aumento que chega a mais de um terço quando os números são comparados aos níveis de 2001, afirma a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Entre 2001 e 2011, as emissões provenientes da aplicação de fertilizantes sintéticos subiram 37%.  

Os arrozais, por sua vez, foram os responsáveis por 10% do total da emissão de gases estufa da agricultura — isso porque eles geram metano através de processos biológicos. Já a queima de pastagens de savana respondeu por 5% do total do setor agrícola, reproduz o empresário Flavio Maluf.

O estudo da FAO ainda apontou que, na última década, a emissão dos gases de efeito estufa derivada da mudança do uso do solo e do desmatamento caíram quase 10%.

No que se refere às origens geográficas, vale salientar que a maioria dos gases do efeito estufa da agricultura são provenientes da Ásia — que concentrou um percentual de 44% da emissão agrícola — seguida pelas Américas (25%), África (15%), Europa (12%) e Oceania (4%).

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)

Criada no ano de 1945, a FAO — que possui sede em Roma, capital da Itália — é uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) que trabalha no combate à fome e à pobreza, através da melhoria da segurança alimentar e do desenvolvimento agrícola.

Flavio Maluf acentua que também é compromisso da entidade — que conta com mais de 190 países-membros — promover o desenvolvimento agrícola, bem como a melhoria da nutrição, a busca da segurança alimentar e o acesso de todos aos alimentos necessários para que se tenha uma vida ativa e saudável.

“Nós ajudamos os países a aperfeiçoar e modernizar suas atividades agrícolas, florestais e pesqueiras, para assegurar uma boa nutrição a todos e o desenvolvimento agrícola e rural sustentável. Desde sua fundação, a FAO tem dado atenção especial ao desenvolvimento das áreas rurais, onde vivem 70% das populações de baixa renda, e que ainda passam fome”, enfatizou o portal das Nações Unidas no Brasil (ONUBR) (nacoesunidas.org).

Organização das Nações Unidas (ONU)

Fundada em 1945, a ONU trata-se de uma organização internacional, formada por países que se reuniram, de forma voluntária, com o objetivo de trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.

O portal das Nações Unidas no Brasil destaca que “as Nações Unidas são regidas por uma série de propósitos e princípios básicos aceitos por todos os Países-Membros da Organização”.

Entre eles estão: manter a paz e a segurança internacionais; desenvolver relações amistosas entre as nações; realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de caráter econômico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; e ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para a consecução desses objetivos comuns.

Atualmente, mais de 190 países são membros da ONU. O Brasil, por sua vez, desde o ano de 1948, participou de mais de 30 operações de manutenção de paz promovidas pela entidade.

O empresário Flavio Maluf reporta que o país integrou operações na África, como, por exemplo, no Congo, na Angola, em Moçambique, na Libéria, em Uganda e no Sudão; também na América Latina e Caribe, que englobam El Salvador, Nicarágua, Guatemala e Haiti; na Ásia, em Camboja e Timor-Leste; e na Europa, no Chipre e Croácia.