Vamos falar de agricultura e preservação do meio ambiente? Com Flavio Maluf

As expectativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) não são boas para os próximos 30 anos, conforme um relatório divulgado pela instituição, ainda em abril. O documento aponta que a emissão de gases do efeito estufa proveniente da agricultura deve estar 30% mais alta em 2050. Isso se o setor seguir no ritmo atual de crescimento e nada for feito para frear essa difusão, destaca o presidente das empresas Eucatex, o empresário e executivo Flavio Maluf.

“Projeta-se um aumento das emissões globais da agricultura em 2030 e 2050 entre 18% e 30%, respectivamente”, salientou a FAO no relatório.

Conforme o documento, a exalação de gases do efeito estufa proveniente da agropecuária, silvicultura e pesca praticamente dobraram nos últimos 50 anos. Em dez anos — no período entre 2001 e 2011 — as emissões derivadas somente dos cultivos e da criação de animais chegaram a subir 14%.

A maior fonte de emissão do setor agrícola, segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, é a agropecuária, que respondeu por 39% da produção dos gases estufa do setor em 2011. A maioria dos poluentes são derivados do que se chama de “fermentação entérica”, destaca Flavio Maluf. Esta acontece no estômago dos animais — principalmente do gado de corte — que liberam, sob forma de arrotos e flatulência, o gás metano, altamente poluente. Este tipo de emissão subiu 11% entre os anos de 2001 e 2011.

No geral, a exalação de gases do efeito estufada derivadas do cultivo e da criação de animais subiram, entre 2001 e 2011, 14% acentuou a FAO.

No Brasil

O empresário e executivo Flavio Maluf reporta que em cenário nacional, a agropecuária é, também, uma das líderes de emissões de gases do efeito estufa no país — junto com ela aparecem ainda o manejo da terra e consumo de combustíveis. A expansão do rebanho bovino e o aumento do uso de fertilizantes nitrogenados são os causadores dos altos índices de emissão no segmento.

Contudo, existem iniciativas criadas com o objetivo de reduzir esses números.  Em 2010, por exemplo, o governo brasileiro lançou o programa chamado de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC). A ideia é reduzir entre 36,1% e 38,9% as emissões de gases do efeito estufa no país até 2020, com base nos números de 1990. Entre os principais objetivos da ação está a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas.

Flavio Maluf ainda acentua que Índia e Brasil são, respectivamente, os maiores criadores de rebanhos bovinos do mundo.

Outros responsáveis pela emissão de gases estufa

Outro grande contribuinte para o aumento da emissão de gases do efeito estufada proveniente da agricultura foi o uso de fertilizantes industrializados. De acordo com o relatório da FAO, eles representaram 13% das emissões agrícolas em 2011. Trata-se de um aumento que chega a mais de um terço quando os números são comparados aos níveis de 2001, afirma a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Entre 2001 e 2011, as emissões provenientes da aplicação de fertilizantes sintéticos subiram 37%.  

Os arrozais, por sua vez, foram os responsáveis por 10% do total da emissão de gases estufa da agricultura — isso porque eles geram metano através de processos biológicos. Já a queima de pastagens de savana respondeu por 5% do total do setor agrícola, reproduz o empresário Flavio Maluf.

O estudo da FAO ainda apontou que, na última década, a emissão dos gases de efeito estufa derivada da mudança do uso do solo e do desmatamento caíram quase 10%.

No que se refere às origens geográficas, vale salientar que a maioria dos gases do efeito estufa da agricultura são provenientes da Ásia — que concentrou um percentual de 44% da emissão agrícola — seguida pelas Américas (25%), África (15%), Europa (12%) e Oceania (4%).

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)

Criada no ano de 1945, a FAO — que possui sede em Roma, capital da Itália — é uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) que trabalha no combate à fome e à pobreza, através da melhoria da segurança alimentar e do desenvolvimento agrícola.

Flavio Maluf acentua que também é compromisso da entidade — que conta com mais de 190 países-membros — promover o desenvolvimento agrícola, bem como a melhoria da nutrição, a busca da segurança alimentar e o acesso de todos aos alimentos necessários para que se tenha uma vida ativa e saudável.

“Nós ajudamos os países a aperfeiçoar e modernizar suas atividades agrícolas, florestais e pesqueiras, para assegurar uma boa nutrição a todos e o desenvolvimento agrícola e rural sustentável. Desde sua fundação, a FAO tem dado atenção especial ao desenvolvimento das áreas rurais, onde vivem 70% das populações de baixa renda, e que ainda passam fome”, enfatizou o portal das Nações Unidas no Brasil (ONUBR) (nacoesunidas.org).

Organização das Nações Unidas (ONU)

Fundada em 1945, a ONU trata-se de uma organização internacional, formada por países que se reuniram, de forma voluntária, com o objetivo de trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.

O portal das Nações Unidas no Brasil destaca que “as Nações Unidas são regidas por uma série de propósitos e princípios básicos aceitos por todos os Países-Membros da Organização”.

Entre eles estão: manter a paz e a segurança internacionais; desenvolver relações amistosas entre as nações; realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de caráter econômico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; e ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para a consecução desses objetivos comuns.

Atualmente, mais de 190 países são membros da ONU. O Brasil, por sua vez, desde o ano de 1948, participou de mais de 30 operações de manutenção de paz promovidas pela entidade.

O empresário Flavio Maluf reporta que o país integrou operações na África, como, por exemplo, no Congo, na Angola, em Moçambique, na Libéria, em Uganda e no Sudão; também na América Latina e Caribe, que englobam El Salvador, Nicarágua, Guatemala e Haiti; na Ásia, em Camboja e Timor-Leste; e na Europa, no Chipre e Croácia.

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