Flavio Maluf fala sobre o faturamento das lavouras brasileiras em 2018 — em especial, do café

Em 2018, o faturamento bruto total das lavouras brasileiras chegou ao montante de R$ 383,87 bilhões. O cálculo desse faturamento, especificamente para as lavouras, contempla 21 produtos agrícolas, reporta o presidente das empresas Eucatex, o empresário e executivo Flavio Maluf. Vale salientar, também, que esse cálculo considera os preços médios recebidos pelos produtores rurais.

O ranking dos cinco produtos que apresentaram maior faturamento no ano passado é o seguinte:

  1. Soja, com R$ 142,36 bilhões, que equivale a 37% do faturamento total;
  2. Cana-de-açúcar, com R$ 61,08 bilhões, que equivale a 16% do faturamento total;
  3. Milho, com R$ 47,12, que equivale a 12% do faturamento total;
  4. Algodão herbáceo, com R$ 33,99 bilhões, que equivale a 9% do faturamento total; e
  5. Café, com R$ 24,92 bilhões, que equivale a 6,5% do faturamento total.  

Flavio Maluf ressalta que, a respeito do café, os R$ 24,92 bilhões são referentes tanto ao café conilon, que teve receita de pouco menos R$ 5 bilhões, o que representa em torno de 20% do faturamento total do produto; quanto ao café arábica, que atingiu cerca de R$ 20 bilhões, o que significa em torno de 80% do total do faturamento do café.

Vale destacar que os dados e números do chamado Valor Bruto da Produção (VBP) de cada produto agrícola são coletados e sistematizados pela Secretaria de Política Agrícola (SPA), do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), desde 2005.

Em relação, especificamente, aos Cafés do Brasil, desde de julho de 2014 as edições do VBP passaram a ser disponibilizadas no Observatório do Café, do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café. Esses dados possibilitam a realização de diversas análises e comparações da evolução da cafeicultura, pontua o Flavio Maluf.

Ainda, para a safra 2019 de café, as estimativas preliminares apontam para uma queda de 10% no faturamento bruto da lavoura cafeeira, que deverá atingir, este ano, o montante de R$ 20,77 bilhões. Tal redução é justificada pelo efeito da bienalidade negativa que aponta uma queda de 10,8% na produção em 2019 quando comparada com a safra colhida ano passado, reporta o presidente das empresas Eucatex.

Previsão para a safra de 2019 — Outros produtos

Estudos realizados por analistas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados em agosto de 2018, indicaram as tendências das principais culturas agrícolas para a safra 2019. Em especial, soja, milho e arroz.

Para a soja

No que se refere à próxima safra de soja, a análise da Conab aponta para os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), destaca o executivo Flavio Maluf. A estimativa do USDA é de que, em 2019, a safra mundial do produto em grãos deve ser a maior da história, com 367 milhões de toneladas. Desse total, os Estados Unidos devem plantar 124 milhões, já o Brasil, 120 milhões de toneladas.

Quanto à China, o documento pontuou “Como a China produz apenas 14,5 milhões de toneladas de grãos e esmaga 95,00 milhões de toneladas, para safra 2018/19 deverá continuar como maior importador de soja mundial, com cerca de 61,54% de toda soja em grãos importada. Segundo o USDA, a China deve reduzir as suas importações mundiais em 2,06%. O principal fator desta redução é a guerra comercial entre Estados Unidos e China, pois os chineses taxaram em 25% a soja dos Estados Unidos, o segundo maior exportador de soja para este país”.

O analista de mercado de soja da Conab, Leonardo Amazonas, explicou que “os chineses estão taxando em 25% a soja em grãos americana e, com isso, as exportações de soja no Brasil deverão manter-se aquecidas no próximo ano”. “Somos o único país capaz de vender o produto e ocupar o espaço deixado pelos norte-americanos”, acrescentou o analista, “por isso, a área de soja brasileira para a safra 2018/2019 deve aumentar”, completou.

Para o Milho

Flavio Maluf reporta que, conforme as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento, o produtor tende a encontrar nessa próxima safra um cenário mais confortável tanto no abastecimento do milho no mercado quanto nos preços domésticos.

Entretanto, o documento que foi publicado em agosto do ano passado, antes das eleições, já fazia a seguinte ressalva: “Deve-se levar em consideração que a depender do resultado das eleições presidenciais e seus efeitos na economia nacional, o dólar pode variar significativamente, afetando as condições de paridade, bem como os preços internos”.

Ainda segundo as análises da Conab, as questões do frete também serão fundamentais para o direcionamento do mercado de milho. “De qualquer maneira, é primordial que o produtor brasileiro observe as oportunidades de mercado não só para atendimento do mercado externo, como, principalmente, para a demanda interna que, nas últimas safras, em alguns momentos do ano, tem se permitido pagar um pouco mais do que as tradings”, acrescentou o documento.

“No cenário externo, oportunidades como China e México não devem ser deixadas de lado, ressaltando, todavia, que os Estados Unidos devem continuar, ao que tudo indica pelo desenvolvimento das lavouras do Meio Oeste, com uma excelente produção e que não estarão dispostos a perder participação de mercado para Brasil e Argentina, mesmo com a atual política comercial de Donald Trump”, completou a Conab sobre a próxima safra de milho.

Para o arroz

“É importante destacar a evolução do mercado orizícola brasileiro no competitivo mercado internacional, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela cadeia produtiva”, frisou o documento da Companhia Nacional de Abastecimento.

Os estudos da Conab explicaram que “o grão brasileiro tem sido direcionado principalmente para o mercado latino-americano e africano e, ao se considerar a alta qualidade do produto brasileiro, há potencial de expansão das exportações brasileiras. Entretanto, o alto custo de produção em razão da elevada carga tributária brasileira é o principal fator que diminui a competitividade do arroz brasileiro e dificulta uma maior ampliação de mercado”.

O empresário e executivo Flavio Maluf acentua que o documento na íntegra pode ser acessado no site da Conab.

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